domingo, 22 de abril de 2018

CNBB: quando a diplomacia diante de retrocessos não combina com a profecia ( no sentido original de denúncia de erros) e o Evangelho



"Sabemos que não é fácil chegar ao consenso dentro de uma Conferência Episcopal tão grande como a brasileira, com tendências, mentalidades e espiritualidades tão diversas. Porém, quando se escolhe o caminho da diplomacia, do “politicamente correto”, isso nos distancia da profecia e, por consequência, do Evangelho." - Padre Luis Miguel Modino

Do site Caminho pra Casa, de Mauro Lopes


Dom Sérgio da Rocha, presidente da CNBB

Padre Luis Miguel Modino avalia as duas notas lançadas nesta quinta-feira (19) pela CNBB para marcar o encerramento de sua 56ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP). Falta profetismo e Evangelho à entidade dos bispos brasileiros; sobram diplomacia e silêncios cúmplices
Por padre Luis Miguel Modino, pároco na Diocese de São Gabriel da Cachoeira*
Sabemos que não é fácil chegar ao consenso dentro de uma Conferência Episcopal tão grande como a brasileira, com tendências, mentalidades e espiritualidades tão diversas. Porém, quando se escolhe o caminho da diplomacia, do “politicamente correto”, isso nos distancia da profecia e, por consequência, do Evangelho.
O episcopado brasileiro publicou neste 19 de abril duas notas nas quais pretende apresentar sua postura diante do momento sócio-político que o país atravessa e das eleições que devem acontecer em outubro. Os textos são resultado dos debates levados a cabo na 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reuniu de 11 de abril até hoje (20) os prelados do país.
Eram pronunciamentos esperados, mas em muitos deixaram um gosto agridoce, com palavras temperadas que tentam agradar a todos, mas que acabam produzindo o efeito oposto.
Na primeira nota, sob o título de “Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ao Povo de Deus” (veja a íntegra no final), a CNBB começa defendendo-se dos ataques sofridos nas redes sociais, dos quais participam grupos conservadores e reacionários, com o apoio mais ou menos explícito de padres, alguns com grande popularidade, sem qualquer  atitude concreta por parte dos bispos dos quais dependem canonicamente. São estes os mesmos grupos nos quais confluem interesses políticos, econômicos e religiosos, que perseguem os bispos e a CNBB.
Perante esta situação, o episcopado faz um apelo à unidade dentro da Igreja, que eles dizem ser parte do episcopado, ao afirmar que “estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro”. Esta afirmação é colocada em dúvida a seguir,  quando se afirma no texto a CNBB que “não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos”. Ao mesmo tempo, os bispos anotam que “a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência”, embora muitos percebam que essa história foi gradualmente diluída.
A nota assinala que “a CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político”, mas, ao mesmo tempo, com base em uma frase da última exortação apostólica do Papa Francisco, critica o “intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101)”, o que é contraditório.
Os bispos dizem que assumem um compromisso profético em sua nota, o que para muitos permanece num nível teórico, porque falta uma defesa explícita do padre José Amaro Lopes, membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT), aprisionado desde 27 de março, como resultado de uma trama de poderes políticos e econômicos no Pará. A mesma omissão acontece em relação à morte de Marielle Franco, a vereadora do Rio de Janeiro assassinada há mais de um mês, cuja família confortada por um telefonema do Papa Francisco. Sobre cuja morte, que provavelmente nunca será resolvida pela polícia e pelo Judiciário, nunca houve um pronunciamento da CNBB, apesar de a Conferência Episcopal começar a nota afirmando estar “em comunhão com o Papa Francisco”.
Na segunda nota, sobreas eleições de outubro, que muitos descrevem como mais profética, enquadra-se na perspectiva da “defesa integral da vida e da dignidade da pessoa humana, especialmente dos pobres e excluídos”, atitude que surge do fato de que “o Brasil vive um momento complexo, alimentado por uma aguda crise que abala fortemente suas estruturas democráticas e compromete a construção do bem comum, razão da verdadeira política”. A nota faz uma crítica à corrupção cada vez mais presente , o que causa “um perigoso descrédito com a política”.
Os bispos denunciam “a falta de políticas públicas consistentes”, que é considerada “a raiz de graves questões sociais, como o aumento do desemprego e da violência que, no campo e na cidade, provoca vítimas entre milhares de pessoas, acima de tudo , mulheres, pobres, jovens, negros e indígenas “, como resultado das decisões de um governo que assumiu o poder como resultado de um golpe de Estado parlamentar e ao qual, por outro lado, nenhuma crítica explícita é feita (nem ao golpe de Estado). Tudo isso é consequência, segundo a nota episcopal, da “perda de direitos e conquistas sociais, resultado de uma economia que sujeita a política aos interesses do mercado”.
Uma das realidades mais preocupantes para os bispos são “os discursos e atos de intolerância, ódio e violência” que impedem “qualquer possibilidade de diálogo”, uma atitude abertamente defendida por alguns políticos, apoiada até mesmo por grupos católicos. Nesse sentido, os bispos definem as eleições como “um passo importante para o Brasil reafirmar a normalidade democrática, superar a atual crise institucional, garantir a independência e autonomia dos três poderes constituídos”.
O episcopado convoca as pessoas a “participarem efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário”, vendo “neste momento difícil uma oportunidade de crescimento, abandonando os caminhos da intolerância, do desânimo e do desencantamento”. A CNBB  também exorta os políticos para  “que anteponham o bem comum aos seus interesses privados” uma realidade cada vez menos presente na política brasileira, onde quase tudo é comprado e vendido.
As duas notas provocam diferentes reações em um país cada vez mais dividido, mas no qual muitos sentem a falta de palavras mais decisivas e contundentes, especialmente aqueles que desejam uma reflexão sobre o momento atual pelo qual o Brasil está passando. Até mesmo alguns bispos, em particular, reconhecem que a profecia é algo cada vez menos presente na CNBB.

Padre Luis Miguel Modino



* Este artigo está sendo publicado simultaneamente em espanhol no site Religión Digital

Será mesmo que filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática? Texto de Priscila Aurora Landim de Castro



Do Justificando:

Será mesmo que filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática?

Foto: O pensador, escultura de Auguste Rodin

Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

Será mesmo que filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática?

Talvez você não identifique de imediato a natureza da Lei n.º 5.692/71, mas certamente já escutou falar sobre os resultados gerados por ela. Esse ato normativo foi responsável por reformular as bases curriculares do antigo 1º e 2º graus, atuais ensino fundamental e médio, durante o governo do General Médici e, entre outras coisas, excluiu o ensino de Sociologia e Filosofia cujo espaço foi ocupado pela inclusão das disciplinas Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil (OSPB). 
O passado, que tem tornado-se cada vez mais representativo do nosso presente, voltou à cena materializado pela veiculação de notícias que antecipam os resultados de pesquisa capitaneada pelos economistas Adolfo Sachsida e Thais Waideman Niquito, cujo caráter ainda não é público, e que deve ser lançada pelo IPEA. Os dados indicariam que a “inclusão de filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias no ensino médio em 2009 prejudicou a aprendizagem de matemática dos jovens brasileiros, principalmente os de baixa renda
Em oposição à tese de que contra fatos não há argumentos, os dados não podem ser compreendidos como fatos naturais, uma vez que são produzidos e, por isso, as discussões metodológicas a respeito dos critérios de produção são tão importantes. Além disso, os dados não falam por si só: é preciso que os resultados sejam mediados por teses explicativas que conectem as causas aos resultados do fenômeno estudado. Sobre o tema, leia a nota da Sociedade Brasileira de Sociologia.
As conclusões apresentadas na notícia indicam que a queda no desempenho em matemática estaria relacionada à perda da carga horária por parte de alguns componentes curriculares em face da inclusão da Sociologia e da Filosofia. Esse redimensionamento estaria relacionado a externalidades positivas, como o reforço de habilidades em áreas como português e história, e negativas, a exemplo do aludido prejuízo em matemática.
A respeito do saldo entre benefícios e perdas, os próprios pesquisadoreslançam o questionamento: “a pergunta é até que ponto esse ganho justifica sacrificar disciplinas como matemática?. A resposta para essa questão é de matriz tanto metodológica quanto político-pedagógico. A natureza metodológica envolve a (im)possibilidade de isolar dois componentes curriculares para fazer frente a outro, num modelo explicativo cujas causas e consequências são exploradas numa perspectiva conjectural de natureza binomial, ao invés de sistêmica. Por outro lado, a natureza político-pedagógica está condicionada ao reconhecimento do que é prioritário na educação infantojuvenil.
A necessidade de reestruturação curricular não é novidade e são inúmeras as dificuldades impostas. Não por acaso a matéria tem passado por inúmeros percalços destacados pelo atraso no lançamento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), prevista para 2016, cuja última versão foi apresentada em 6 de abril de 2018. O texto, finalizado com atraso, refere-se ao ensino infantil e fundamental e não contempla as bases do ensino médio.
Assim, o problema não envolve tão simplesmente constatar a necessidade de reformulação do que está posto, mas o questionamento a respeito de quais serão as bases que fundarão a reforma. De fato, a extensão do currículo onera os alunos, mas porque não falarmos sobre a priorização atribuída às diferentes disciplinas que o compõem? Para além das antigas e infrutíferas rixas entre as ciências “hards” e as humanidades, que tipo de conteúdo realmente deve compor a educação daqueles que virão a eleger suas áreas de especialidade quando (e se) ingressarem no ensino superior?
Soma-se à discussão a ideia legislativa apresentada por Thiago Turetti, cuja proposta incide na extinção da oferta dos cursos de humanas nas universidades públicas e que está submetida para manifestação de apoio no site do Senado.
A explicação para a proposta apresentada por Turetti é tão simples quanto infundada e, assim como as conclusões apresentadas pelos pesquisadores, incide numa hierarquização entre as áreas do conhecimento reconhecidas como prioritárias e na indicação das humanidades como não pertencente ao rol científico:
São cursos baratos que facilmente poderão ser realizados em universidades privadas, a medida consiste em focar em cursos de linha (medicina, direito, engenharia e outros). Os cursos de humanas poderão ser realizados presencialmente e à distância em qualquer outra instituição paga.
Não é adequado usar dinheiro público e espaço direcionado a esses cursos, o país precisa de mais médicos e cientistas, os cursos de humanas poderão ser feitos nas instituições privadas. Cursos de humanas da proposta: Filosofia, História, Geografia, Sociologia, Artes e Artes Cênicas.
Como aparentemente o autor da proposta não fez o dever de casa, resta explicar que as Ciências Sociais e Humanas são debatidas enquanto modelos científicos e, para além de teoria, produzem uma enorme quantidade de estudos empíricos. Quanto à discussão das bases epistemológicas que as fundamentam e que as particularizam em relação às demais ciências, assim como a aplicação ou não dos seus resultados, esse não é um debate legislativo e, para isso, existe um acervo acadêmico imenso e melhor instrumentalizado tecnicamente que os achismos politiqueiros.
O que mais há em comum entre a notícia dos resultados da pesquisa e a ideia legislativa referenciada? Tanto Thiago Turetti quanto Adolfo Sachsida encabeçam a lista dos apoiadores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Além de Sachsida, assume a responsabilidade da pesquisa a economista Thais Waideman Niquito, que é apresentada como signatária do manifesto pelo impeachment, cujo conteúdo começa com os dizeres: “Não há desenvolvimento sem equilíbrio econômico. Este, por sua vez, depende de instituições fortes que o sustentem. São as instituições de um país que separam as nações ricas das pobres”. Em resposta ao pressuposto do manifesto, suponho que não há desenvolvimento sem educação e que essa depende de uma sólida formação humana reflexiva.
Até o final de 2017, Sachsida era identificado como o principal conselheiropara assuntos econômicos do pré-candidato presidencial Jair Bolsonaro e abertamente defende projetos como a Escola Sem Partido. A respeito disso, o economista esclarece a natureza do projeto em seu blog:
Vamos ao básico, o que é o Escola Sem Partido? O Escola Sem Partido (ESP) é uma organização civil que tem 2 propostas: 1) combater a doutrinação ideológica nas escolas; e 2) oferece um projeto de lei (que se resume a colocação de um cartaz em sala de aula) para combater a doutrinação ideológica ocorrida dentro da sala de aula.
Incoerentemente conclui que:
Desnecessário dizer que esse projeto mira a educação pública. Escolas privadas confessionais por exemplo não estão abrangidas. E sim, é possível que o ponto 2 seja capturado pelos inimigos da sociedade aberta e intensifique ainda mais a doutrinação no futuro. Isso é a característica de qualquer proposta: ela sempre poderá ser pervertida. Para evitar isso só existe um remédio: a vigilância contínua.
Para além das discussões sobre a viabilidade da proposta, internamente ela comporta incoerências profundas, tal como a desobrigação da observância dos mesmos princípios por parte das escolas particulares e confessionais. Por que simplesmente coagir os professores da rede pública a uma obrigação que deveria ser compartilhada por todos, caso fosse reconhecida como pilar básico da educação? É sabido que as populações mais endinheiradas monopolizam a rede pública somente no nível superior e que toda formação anterior é realizada em escolas privadas. Por que a obrigação de não ideologizar incorreria somente sobre as populações carentes e, por isso, clientes das escolas públicas? Diante dessa incoerência resta inferir tratar-se de uma causa mais política que realmente pedagógica.
É impossível destituir a educação do seu lugar político e emancipatório, sendo as bases curriculares de educação o aporte para o comprometimento com o projeto de cidadania concebido pelo Estado. A valorização e a consequente desvalorização das humanidades implica na pedra lançada para o projeto do que nos tornaremos.
Priscila Aurora Landim de Castro é Doutoranda em Sociologia pela Universidade de Brasília, Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, Graduada em Ciências Sociais Universidade de Brasília. Pesquisadora com ênfase na linha de violência e segurança pública no Núcleo de Estudos Sobre Violência e Segurança – NEVIS/UNB. Professora da Faculdade de Direito – UniCEUB

Do Justificando: A encenação quixoteana das audiências criminais e o protagonismo do juiz. Pelo Defensor Público Rochester Oliveira Araújo



"As normas de direito material visam regular a atuação do poder punitivo do Estado em face do réu. As normas processuais buscam garantir que todo o rito – encenação – respeite os direitos do réu enquanto se busca aplicar o poder punitivo. O roteiro foi pensado e idealizado nessa forma. Essa é a dramaturgia, ou deveria ser.
"Mas, aparentemente, a prática processual penal – aquela que se da sobretudo nas salas de audiência (cenário) – fugiu do teatro clássico e passou para uma esquizofrênica Commedia dell’arte. O improviso, a confusão de papéis entre os atores e sobretudo a usurpação do papel principal por um ator mais vaidoso e egocêntrico, que, na verdade, se torna diretor da sua própria atuação e dos demais é a marca dessa peça."


A encenação quixoteana das audiências criminais e o protagonismo do juiz
Sábado, 21 de Abril de 2018

A encenação quixoteana das audiências criminais e o protagonismo do juiz

O processo criminal tem como ator principal o réu. Em qualquer obra jurídica contemporânea, esta é uma afirmação indiscutível. As normas de direito material visam regular a atuação do poder punitivo do Estado em face do réu. As normas processuais buscam garantir que todo o rito – encenação – respeite os direitos do réu enquanto se busca aplicar o poder punitivo. O roteiro foi pensado e idealizado nessa forma. Essa é a dramaturgia, ou deveria ser.
Mas, aparentemente, a prática processual penal – aquela que se da sobretudo nas salas de audiência (cenário) – fugiu do teatro clássico e passou para uma esquizofrênica Commedia dell’arte. O improviso, a confusão de papéis entre os atores e sobretudo a usurpação do papel principal por um ator mais vaidoso e egocêntrico, que, na verdade, se torna diretor da sua própria atuação e dos demais é a marca dessa peça.
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Inicia-se com um cenário estático: não haverá movimento – o jogo cénico é mínimo. Os personagens desempenharão suas funções em lugares marcados, sem liberdade de transitar livremente, cada um recebendo a iluminação que lhe é devida, ao seu tempo. A linguagem cenográfica fala: personagens periféricos ficam mais às bordas do palco. Já os personagens mais importantes estarão ao centro, para que todos possam vê-lo.
E a peça tem início. No lugar de três sinais que indicam a abertura das cortinas, uma voz mecanizada anuncia a próxima audiência. Abrem-se as cortinas e você encontrará, quase sempre, no primeiro ato, um réu que teve seu protagonismo roubado, e seu inseparável ator de defesa. Às vezes, quando são diversas as encenações em um único dia, o réu chega por último, quando todos os demais já estão instalados para o início da peça. E chega com certa notoriedade: escoltado por figurantes que marcham lhe escoltando, em figurinos suntuosos, sendo conduzindo até seu local marcado, muitas vezes com algemas e marca-passo nada cenográficos. Embora sua chegada represente o verdadeiro início da peça, após as apresentações iniciais, não chega a ameaçar o protagonismo todo. Apenas foi necessário que todo o elenco estivesse presente para começar o espetáculo. Sendo ele o primeiro ou último personagem no palco, é só mais um personagem.
O protagonista senta-se ao centro. Seu figurino é o mais elaborado e representa sua vaidade: vestes suntuosas, ainda que não talares. É tentador tornar-se o protagonista quando você, diretor, não está satisfeito com os bastidores. E o caminho é fácil, bastando ignorar a crítica, por mais especializada que seja e que demonstre a fuga do roteiro. Ao seu lado estão personagens que também roubam a cena, e as vezes até disputem o papel principal, mas geralmente conformam-se em servir como coadjuvantes de destaque. Tudo está completo. Podemos começar.
Ouve-se testemunhas, apresentam-se alguns adereços e contracenam-se em um ritual que muitas vezes é repetitivo. E por ser tão repetitivo, para que conhecer o roteiro? Volumes e volumes de papel que falam – provavelmente – de mais do mesmo? E só falam daquele infeliz ator que está ali sentado, de cabeça baixa. Sequer bom ator é: se passa por inocente muito mal! Melhor não ler, vamos de improviso e sentindo como reagir.
Para deixar mais elucidativo (?), vamos revestir a encenação com um clássico: Dom Quixote de la Mancha! Parece cair muito bem. O personagem principal é um destemido aventureiro que, por muito ler livros de cavalaria, decide-se tornar-se igualmente um herói. Tem ao seu lado um personagem fiel e escudeiro que lhe acompanha nas mais desafortunadas histórias e sente, ao seu lado, a glória de lutar contra moinhos de vento como se um dia fossem capazes de fazer parar de ventar.[1] Aqui temos nosso Dom Quixote que, por ler muitos manuais de direito, tem a firme convicção que pode fazer justiça.
No espetáculo da audiência, aventuram-se em uma parceria tão consolidada que revestida do romantismo que só cabe aos verdadeiros amigos. “Esse meu mestre, por mil sinais, foi visto como um lunático, e também eu não fiquei para trás, pois sou mais pateta que ele, já que o sigo e o sirvo, se é verdadeiro o refrão que diz: ‘diga-me com quem anda e te direi quem és’ e o outro de ‘não com quem nasce, mas com quem passa’.” (Parte 2, Capítulo 10.)
Chegamos ao momento da verdadeira tensão no palco: o interrogatório seria o momento em que o miserável personagem poderia galgar seu espaço na peça. É seu monólogo. Sua defesa. Mas um bom protagonista consegue fazer desse só o seu degrau para mais uma brilhante atuação de inquirição e realização da (sua) justiça! Ali é o momento em que se revela a intriga na condução do brilhantismo do Cavaleiro da Triste Figura. Em um encurralamento das ovelhas, brada sua lança e consegue extrair daquele personagem diminuto as verdades escondidas.
Vejam que mesmo na fala do réu, o diretor-juiz consegue assumir o protagonismo ao encurralar-lhe para extrair quaisquer verdades que desejava. A peça precisa seguir sobre o seu controle. Só assim, haverá a consagração ao final com os aplausos do público. Este é outro grande problema dessa relação: o diretor-ator-protagonista que deveria estar satisfeito com as coxias, passa a gostar da vaidade dos aplausos, e, portanto, dirige-se e à peça ao gosto do público.
Terminado o monólogo-interrogatório daquele miserável que teve o revés de encontrar na sua frente o justiceiro Quixote, podemos avançar para o desfecho da narrativa. A justiça lhe será feita com a pena que merece, e certamente ele merece por ter feito o que fez. O que fez? Não importa muito ao certo, mas“cada um é filho das suas obras.” (Parte 1, Capítulo 47). Para justificar a imposição das sanções e dos castigos, o diretor retorna à história, aos livros das leis e aos livros do direito. Isso é o de menos. Em algum lugar ele encontrará a sua teoria necessária para desconstruir qualquer desses princípios que o engessavam. “Não há livro tão ruim – disse o bacharel – que não tenha algo de bom.” (Parte 2, Capítulo 3.)
A cena final precisa ser de um último regozijo para o nosso protagonista. Agora ele terá a honradez dos cavalheiros que vagam por ai fazendo justiça para, do alto de seu rochedo, anunciar ao miserável qual sua pena. Assim como fazem os homens de verdade, face-a-face, olhando naqueles olhos cabisbaixos para anunciar-lhe qual a sua desgraça. Mas, sem soberba, o fará entender que é pro seu bem e de todos os demais. Que lhe serão dados os tratamentos cabíveis, na medida dos seus erros. E é bom que ele assim entenda, não adianta revoltar-se se foi feita a minha justiça! Aliás, deveria é ser grato por tamanha benevolência, afinal, “entre os pecados maiores que os homens cometem, ainda que alguns digam que é a soberba, eu digo que é a falta de agradecimento.” (Parte 2, Capítulo 58.)
Fim do último ato, toda a encenação poderá ser recomeçada. Precisa ser recomeçada. O povo clama por mais um espetáculo daquele protagonista. Nada muda, salvo o ator que teve o protagonismo roubado e a liberdade tolhida. Outro assume seu lugar, embora muito se pareça com o anterior. O público sequer irá notar a diferença. O próprio elenco quase não nota a mudança! Tem a mesma estatura, cor de pele, porta-se com o mesmo cair de ombros e rosto! Que escola de atuação incrível por sua homogeneidade. Avançamos com a cobrança do horário do fiel escudeiro para o próximo espetáculo, já que“senhor, uma andorinha só não faz verão.” (Parte 1, Capítulo 13.)
Pena que a leitura do Dom Quixote não foi bem apropriada por nosso protagonista, pois até o cavaleiro que luta contra moinhos de vento, no auge de seus desvaneios alerta que “a liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que os homens receberam dos céus. Com ela não podem igualar-se os tesouros que a terra encerra nem que o mar cobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pôde vir aos homens.” (Parte 2, Capítulo 58.)
Rochester Oliveira Araújo é mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Defensor Público do Estado do Espírito Santo; Membro do Núcleo de Execução Penal da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo.

[1] Dizem, alguns, que o personagem que está mais ao lado do Cavaleiro da Triste Figura é, na verdade, o Rocinante. Que poderia ser azul, e feito de papel marchê. Contudo, assim sendo, é mais provável que este personagem seja desempenhado pela defesa do que pela acusação no processo penal.

O Teólogo e ecologista Leonardo Boff e o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel falam em vídeo sobre o arbítrio e de um estado golpista de exceção agindo contra o Brasil e contra Lula

Resultado de imagem para Leonardo Boff Adolfo Pérez Esquivel

Leonardo Boff: "Lula, tiraram nossa humanidade e a tua"

Adolfo Pérez Esquiel: "Hoje o Brasil vive um Estado de Exceção após um Golpe de Estado contra a Presidenta Dilma Rousseff e agora toda esta campanha contra o Presidente Lula"

Veja o vídeo



Critica ao Estado de Exceção da República Morista

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mauro Lopes: Igrejas na Síria confrontam EUA; Papa age pela paz; Rússia desmonta a farsa


Do site Caminho pra Casa, de Mauro Lopes:



Enquanto as igrejas cristãs na Síria condenam em tom enérgico os ataques da coalizão liderada pelos EUA ao país, o Papa atua pela paz e a Rússia desmonta de maneira cabal a farsa das “armas químicas”
Por Mauro Lopes
Num mundo submetido ao poder imperial do capitalismo em sua etapa mais brutal, tudo é guerra, luta, confronto ideológico. É assim no Brasil na campanha dos ricos contra Lula; assim é em escala global ao redor da guerra na Síria. Provavelmente você não ficou sabendo, porque as mídias controladas pela lógica do sistema esconderam, mas:
1) todas as igrejas cristãs na Síria condenaram de maneira veemente o ataque dos EUA, Inglaterra e França ao país, na noite de sexta-feira (13);
2) O Papa atua pela paz, em articulação com o  Patriarca Ortodoxo Russo Kirill; uma delegação  multirreligiosa síria chegou ao Vaticano no domingo para, nas palavra do líder da comitiva, Nasr Al Hariri, dialogar com “a autoridade moral mundial que pode nos ajudar”;
3) o governo russo apresentou provas irrefutáveis de que a versão ocidental sobre uso de armas químicas pelo governo sírio é falsa.
Patriarcas sírios
Numa declaração conjunta, os três patriarcas sírios afirmaram que “condenam e denunciam a agressão brutal que ocorreu esta manhã (no sábado) na Síria, nosso precioso país, pelos EUA, França e Reino Unido, alegando que o governo sírio usou armas químicas”. A declaração foi assinada por John X, Patriarca Grego-Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente; Ignatius Aphrem II, Patriarca Ortodoxo de Antioquia e todo o Oriente, e Joseph Absi, Patriarca Católico Greco-Melquita de Antioquia, Alexandria e Jerusalém, conforme reportagem de Inés San Martin veiculada no Crux. (a seguir, trechos da reportagem).
De acordo com os religiosos, a “agressão brutal” viola o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, porque é uma “agressão injustificada” em um país soberano.
Assim como fizeram outros antes deles, também questionaram a suposta utilização de armas químicas pelo governo sírio, dizendo que tal afirmação, usada para justificar os ataques aéreos, é “injustificada e não é fundamentada em evidências claras e suficientes”.
Na sexta-feira, investigadores de crimes de guerra das Nações Unidas condenaram a suspeita de uso de armas químicas na cidade síria de Douma, na zona leste de Ghouta, e no momento da explosão especialistas viajavam ao país para investigar o suposto ataque que matou dezenas de pessoas.
De acordo com os patriarcas, o fato de o atentado ter ocorrido antes de a comissão dar início aos trabalhos “prejudica” os esforços da investigação. Definindo-o como “brutal” e “injusta”, eles também afirmaram que o ataque incentiva organizações terroristas e “dá força para continuar o terrorismo”.
“Chamamos todas as igrejas dos países que participaram da agressão a cumprir seus deveres de cristãos, segundo os ensinamentos do Evangelho, condenando-a e pedindo que seus governos se comprometam com a proteção da paz internacional”, escreveram.
O Papa e Kirill; o Vaticano
Na sábado, segundo a agência russa TASS, o patriarca ortodoxo Kirill telefonou para Francisco –desde o encontro histórico em Havana, há dois anos, depois de mais de mil anos de separação e confronto, a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa aproximam-se cada vez mais. Segundo Kirill, os dois líderes estão buscando articulações para interromper a guerra e encerrar os ataques à Síria.
Francisco tem buscado aproximação cada vez maior com a Rússia.  Ele pretende ser o primeiro Papa a visitar a Rússia. O cardeal Pietro Parolin esteve no país entre 20 a 24 de agosto –desde 1888 um secretário de Estado do Vaticano não pisava em solo russo; esteve com Putin e com Kirill.
“O resultado é substantivamente positivo” –assim resumiu Parolin o resultado de sua viagem. De fato. Na ocasião, o governo russo comprometeu-se a usar sua força (inclusive militar) no Oriente Médio para defender as minorias religiosas. Além disso, reafirmou-se a identidade entre Moscou e o Vaticano na visão sobre a Síria, de apoio ao governo de Bashar al-Assad e longe dos jihadistas –financiados pelos EUA.
As mídias do Vaticano têm reverberado os protestos das igrejas sírias contra o ataque da frente EUA/Inglaterra/França. Antoine Audo, bispo caldeu de Alepo, denunciou em entrevista à Rádio Vaticano que o bombardeio de sexta provou que a comunidade internacional está tentando fazer na Síria o que fez no Iraque, “quando destruíram o país dizendo que havia armas químicas”. “O que fizeram no Iraque estão fazendo agora na Síria”, disse. O bispo Audo questionou: “Como é possível o Assad ter usado armas químicas para se defender?”.
O bispo caldeu foi incisivo ao desmontar as justificativas de Trump para o ataque: “É surpreendente que o ataque tenha ocorrido justamente quando estava prestes a começar a missão dos inspetores da ONU chamados para investigar o uso de armas químicas atribuído ao regime de Damasco”. Foi mais longe: “Como é possível que Assad – pergunta-se – tenha utilizado armas químicas justo quando o seu exército recuperou a região de Ghouta? Não é lógico”.
O bispo Georges Khazen, vigário apostólico de Aleppo, disse à agência de notícias da Conferência Episcopal Italiana, Sir, que o ataque teve como objetivo inviabilizar na prática a investigação sobre o suposto uso de armas químicas na cidade de Douma: “após essa investida será tudo mais difícil”, pela destruição causada.
A Rússia e a farsa das “armas químicas”
A farsa das “armas químicas” plantada pelos EUA e Inglaterra é insustentável, como o sabem todos os líderes mundiais. E é esta farsa que está na base da reação das igrejas sírias, do Vaticano, do Patriarca Kirill e outros. Ela foi integralmente desmontada pelos russos.
Numa entrevista coletiva, o ministro da Defesa russo, general Ígor Konashénkov apresentou provas de como foi articulada a farsa do uso de armas químicas pelo governo sírio. Na entrevista, foi veiculado um vídeo com um médico e um estudante de medicina do hospital central de Douma mostrando como foi feita a montagem que transformou pessoas vítimas de fumaça proveniente de um ataque a bombas em “vítimas de armas químicas”.
Você pode ver a entrevista com o ministro russo e assistir o vídeo com os médicos sírios clicando aqui ou logo abaixo. É uma reportagem da Sputnik News, agência de notícias do governo russo. Podem argumentar, que “ah, mas é uma agência dos russos” –e o que é a Globo ou as mídias do comerciais globais senão agências do capitalismo? O fato é que as provas da armação são patentes. A seguir, a entrevista com o ministro russo:
Toda a história do suposto agente químico foi armada pelo grupo Capacetes Brancos, que se apresenta à opinião pública como a Defesa Civil síria –há até documentários que os apresentam como heróis destemidos- mas é um grupo patrocinado pelos governos dos EUA e Inglaterra. Os Capacetes Brancos já foram flagrados simulando resgates e confessaram a encenação, portando armas e atuando lado a lado da Al Qaeda. O site dos Capacetes Brancos pertence ao grupo de advocacia The Syria Campaign, registrado na Inglaterra.
Como se pode ver no vídeo dos médicos sírios, um grupo de homens invadiu em 8 de abril a sala de emergência do hospital com várias câmeras de vídeo, com os Capacetes Brancos levando crianças feridas aos gritos de que haviam sido vítimas de armas químicas (quando na verdade estavam intoxicadas por fumaça), começaram a jogar água sobre as pessoas e, logo depois de gravadas as cenas, desapareceram –as imagens aparecerem pouco depois em toda a mídia ocidental como a “prova” do uso das armas químicas. Veja o vídeo dos médicos:
Uma farsa tosca montada pelos Estados Unidos e Inglaterra colocou a paz do mundo em risco. O esforço para a manutenção da paz está operando o quase milagre de unir aqueles que estiveram distantes por muito tempo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O advogado, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol no Brasil, Armando Coelho discute o Justiçamento de Lula e o papel do STF diante da escalada fascista


"A Constituição foi jogada no lixo e Lula preso. Ainda triste e perplexo com o óbvio esperado, tento tecer considerações sobre um espetáculo circense, que deram de chamar "julgamento de Lula". " - Armando Rodrigues Coelho Neto

Do Jornal GGN:




A Constituição foi jogada no lixo e Lula preso. Ainda triste e perplexo com o óbvio esperado, tento tecer considerações sobre um espetáculo circense, que deram de chamar "julgamento de Lula". A rigor não era julgamento dele, mas sim a apreciação de um "habeas corpus", sobre seu direito de recorrer em liberdade, até esgotar todas as instâncias. Entretanto, o espetáculo foi vendido aos poucos esclarecidos como prova de culpa, como se o tal Supremo Tribuna Federal tivesse, também, reconhecido a culpa e estivesse Lula condenado mais uma vez.

Integro o rol dos indignados inquietos com o avanço do fascismo. Meu impulso inicial é inconfessável, pois uma coisa chamada caráter continua a ser o freio do cidadão de bem. Entre as ideias mais estupidas reveláveis que me ocorreram foi rasgar o título de eleitor e o diploma de Direito. O primeiro pela inutilidade da soberania popular e o segundo por se revelar inútil o que aprendi na faculdade. Compartilhei essa angústia com o minoritário senso crítico da Policia Federal, e o resumo da conversa virtual está em duas partes, sem autoria definida.
Parte 1 – Nulidade processual e cláusula pétrea
Uma Corte Suprema que empata em matéria de defesa é por si mesma desmoralizada. Defesa é princípio absoluto previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), como forma de proteger o cidadão da tirania do Estado. Os signatários daquela Carta tinham razão de sobra, pois vinham de um desastroso pós-guerra mundial. Aquela Carta foi inspirada nos ideais da Revolução Francesa, consolidados e divulgados por meio da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, a qual consagrou os direitos naturais, inalienáveis e não negociáveis do homem. Eis, pois, em quanto no tempo, o STF retrocedeu.
Sob aquela perspectiva, o Brasil de uma pós-ditadura assassina foi além na ideia, de forma que, na Constituição Federal de 1988, deu status maior à defesa. Escreveu “ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”... Ou seja, ao adjetivar a defesa, o constituinte ampliou o conceito tornando-a mais soberana. O STF, até então menos flagrantemente politizado, determinou a nulidade absoluta de qualquer processo no qual ocorresse cerceamento de defesa. Mas, ele próprio negou esse direito ao ex-presidente Lula. Sua defesa técnica foi tão pró forma quanto a de Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional.  
A decisão majoritária tem grave vício de interpretação. Por meio de dois exemplos simples (Estatuto do Idoso e Estatuto da Criança e do Adolescente) gostaria de ajudar o leitor pouco informado a entender como a leitura de nossa Constituição foi subvertida.
Se Estatuto do Idoso foi criado para proteger pessoas nessa condição, qualquer artigo que possa gerar dúvida deve ser interpretado a favor do idoso. Do mesmo modo, a lei que protege criança e adolescente não pode ser interpretada contra quem ela visa proteger. Juristas renomados do mundo chamam isso de interpretação teleológica da lei, ou seja, o sentido profundo daquilo que a lei/sociedade quer proteger. A pergunta primária é: o que a lei quer proteger?
Voltemos ao Lula e ao circo do STF.
A Constituição de 1988 é tratada como Carta Cidadã, devido ao enfoque que deu aos direitos e garantias individuais, tentando proteger até direito não regulamentado, por meio de mandado de injunção. Nesse sentido, nenhum artigo dessa Constituição pode ter interpretação de forma contrária aos direitos fundamentais, entre eles defesa, liberdade, presunção de inocência, etc.
O mesmo raciocínio aplicado aos estatutos de proteção ao idoso e às crianças deve ser feito na Constituição. Mas, no caso do Lula, o STF interpretou contrário ao direito do cidadão e solapou dele (Lula) a presunção de inocência e o direito à liberdade garantida a qualquer pessoa. Em tempos de normalidade democrática isso não aconteceria.
Outro ponto importante a ser destacado é que o Art. 60, parágrafo 4º, da Constituição de 1988, coloca os direitos e garantias fundamentais como “cláusula pétrea”. Nesse caso, nem mesmo sob o formato de Emenda Constitucional esse assunto pode reformulado. Desse modo, somente uma nova Constituição poderia alterar a regra de presunção de inocência e da liberdade até o último recurso. Assim, fica claro como foi viciada a apreciação do Caso Lula pelo STF.
2 – Fascismo e STF. “Tem que manter isso”
O segundo ponto da conversa entre delegados foi o pensamento “Weberiano” (não do Marx, mas da tal Rosa Weber). Foi deplorável o voto de ocasião por ela proferido, no melhor estilo tribunal acuado pela Globo ou a mídia como um todo. Afinal, os juízes precisam decidir conforme a opinião pública (que eles mesmos formam por meio da mídia). No caso, além de trair a si mesma num julgamento político, na base do “hoje voto assim”, a ministra Rosa parece ter querido saciar a ira insana dos apoiadores do golpe. Ou quem sabe, simplesmente seguir o que já fora adiantado por Romero Jucá, sobre o tal acordo “com o supremo e tudo”. É como se o pensamento da ministra tivesse um quê do impostor Temer - “tem que manter isso”.
Se o STF pensou que agora vai melhor, tudo indica que vai piorar. Primeiro, por que ao ceder à pressão da extrema direita, se acovardou e se apequenou. Passou a certeza de que a pressão contra a legalidade funcionou. Tudo vai poder ser atingido por meio de expedientes exasperados. Na melhor linha fascista, a intolerância até de juízes será tolerada.
O que o STF fez foi muito pior do que parece, ao permitir o recolhimento do maior líder popular da América Latina, condenado sem provas, ao relativizar politicamente o princípio sagrado da presunção de inocência. Sucumbiu à lógica imediatista da pressão midiática, de intervenção tática no processo eleitoral em curso e deixou de levar em conta o que está acontecendo na Sociedade. Deixou de protegê-la de um risco concreto: o fascismo.
Não adianta tentar ignorar. O fascismo já conseguiu se naturalizar na “elite social” e se consolidou no sequestro da política. Desse modo, os próximos passos poderão ser piores, pois dá suporte a uma sociedade dividida, fato que pode resvalar em confrontos iminentes. Quem irá proteger um vizinho do outro que pensa diferente? São nítidos os sinais de que o “Direito Penal do Lula” entra na fase do “Direito Penal do Povo”. A repressão judicial no acampamento dos apoiadores do ex-presidente Lula, em Curitiba, fala por si.
Armando Rodrigues Coelho Neto é advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O genial animador britânico Steve Cutts vai direto na ferida em sua animação-denùncia "Happness", uma pungente crítica à destrutiva alienação capitalista....


Do canal de Steve Cutts:




Entenda de forma histórica a crise a Síria e os interesses nada humanitários dos envolvidos na guerra em um vídeo suscinto


Do canal Brigada Rossa:


Homo Demens et Imbecillis... Duas animações para fazer pensar os que ainda são capazes: "Consumismo, a obsolescência programada" e "O futuro da humanidade", de Steve Cutts



Vídeo 1: Consumismo, a obsolescência programada

Do canal de Mark First:


Vídeo 2: O futuro da humanidade

Do canal de Aislan Freuly



Breve apanhado de indícios de corrupção na Lava Jato, por Nilo Filho


Do Jornal GGN:




Breve apanhado de corrupção na Lava Jato: Indícios fortíssimos 
Por Nilo Filho
"Criar dificuldades para vender facilidades"

"1. Ao apontar os fracassos da operação mãos limpas na itália, o Professor ALBERTO VANUCCI, da Universidade de Pisa, It, alerta que:
- "pior [de tudo], na Itália, agora, os políticos corruptos, servidores públicos e empresários aprenderam a lição da Mãos Limpas e não estão cometendo os mesmos erros daqueles que foram presos
Nos últimos anos, eles desenvolveram técnicas mais sofisticadas para praticar corrupção com mais chances de ficarem impunes, como dissimular pagamentos de propinas, ou multiplicar conflitos de interesses""
Nota: o Prof. Alberto Vanucci é Professor de Ciência Política na Universidade de Pisa, It, orientador de cursos de Pós Graduação em análise e prevenção do crime organizado e da corrupção, estudioso, especialista e autor de inúmeros livros e estudos em organização criminosa e corrupção como, por exemplo, Corruzione politica e amministrazione pubblica (1995), Il mercato della corruzione (1997), Un paese anormale (1999), Corrupt Exchanges (1999), Mãos Limpas (2007), The hidden order of corruptios (2012) entre outros

2. VITO LO MONACO presidente do CENTRO STUDI PIO LA TORRE, Instituto Italiano responsável pelo Projeto Educativo Antimáfia, diz:
- "A máfia é forte porque se infiltra no Estado"

3. NO BRASIL, TEM-SE REPORTADO QUE:
         3.a. Advogados são condenados por envolvimento com organização criminosa: Conjur
         3.b. Infiltração do PCC no Judiciário de São Paulo é investigada: TV Uol
         3.c. Desembargador (Minas Gerais) que vende liminares a favor de traficantes: Youtube
         3.d. Três (3) juízes federais acusados num esquema de empréstimos fraudulentos que envolveu a Associação de Magistrados Federais da 1ª Região (Ajufer), entre os anos de 2000 e 2009: Conjur
         3.e. Gilmar Mendes: “A corrupção já entrou na Lava Jato”: DCMBrasil247Tijolaço
         3.f. Ministro da Justiça afirma que a escolha para o Comando da Polícia Militar no Estado do Rio de Janeiro é fruto de um acordo entre políticos, deputados estaduais e o crime organizado: Justificando
         3.g. Corrupção no Exército? Procuradoria denuncia esquema de militares: Carta Capital
         3.h. “Gorjeta” milionária para o MP nos acordos de delação premiada: Brasil247
         3.i. Cercado de corruptos Moro pede ajuda para combater - ele diz - a corrupção: Brasil247
         3.j. Amigo de Moro que teria pedido 5 milhões por fora (propina) em troca de delação será convocado por CPMI: Jornal GGN
         3.L.  MERCADO FINANCEIRO. Vazamentos podem ter beneficiado investidores: Jornal GGN
         3.m. PETROBRAS FAZ ACORDO DE PAGAR US$ 2,95 BILHÕES - cerca de r$ 10 bilhões - a investidores norte-americanos para encerrar uma disputa judicial envolvendo a companhia nos Estados Unidos: Brasil247
         3.n. - MORO TENDO CONHECIMENTO DO ENVOLVIMENTO DA GLOBO (1,6 BILHÃO DE REAIS) E DA ABRIL (60 MILHÕES DE REAIS) no caso do Banestado (banco do Estado do Paraná), comparece e recebe premiações e homenagens dessas empresas (comerciais) de mídia e de formação de opinião: CartaCapitalPragmatismo Político [há um video com o Delegado Castilho], Conversa Afiada
         3.o. LULA PRESO. BARUSCO AQUELE DOS 100 MILHÕES SE LIVRA ATÉ MESMO DA TORNOZELEIRA: Brasil247
         3.p. - STJ REDUZ CONDENAÇÃO DO ITAÚ DE R$ 160 MILHÕES PARA R$ 160 MIL: Justificando

4. MATÉRIAS SOBRE DELAÇÕES - GGN E DCM (pequeno resumo)
         - Caso 1: O INSÓLITO ACORDO
LUIZ AUGUSTO FRANÇA, MARCO BILINSKI e VINICIUS BORIN peixes graúdos no mundo dos doleiros e das empresas offshore - pioneiros no mercado com os Paraísos Fiscais e com dinheiro não declarado (lavagem de $$ sujo e ilícito) - e operadores da Odebrecht.
Celebraram - na Lava Jato - Acordo de Delação Premiada com o MPF de Curitiba e depois homologado (aprovado) por Sérgio Moro com as seguintes (e incompreensívies) benesses:
Penas de 8 anos em Regime Aberto diferenciado por um (1) ano e a Suspensão Condicional da Pena sem condições e Multa de apenas 3,4 milhões quando teriam recebido 326 milhões.
As penas propostas para os três foram:
a.          Condenação à pena unificada máxima de 8 anos de reclusão e suspensão dos demais feitos criminais.
b.         Um ano em Regime Aberto diferenciado, com a única obrigação de recolhimento domiciliar noturno nos dias úteis   (das 20 às 6 horas) e integral nos feriados e fins de semana, sem tornozeleira.
c.         Seis meses em regime aberto com recolhimento integral apenas nos finais de semana e feriado, sem tornozeleira.
d.         De 3 a 6 meses de pena restritiva de direitos: 6 horas semanais de prestação de serviços à comunidade.
e.         Depois disso, suspensão condicional da pena, sem quaisquer condições restritivas pelo período restante
f.         Ficou acertada, ainda, a possibilidade de 6 viagens nacionais ou internacionais a trabalho, durante o cumprimento da pena prevista, com prévia autorização judicial pelo período máximo de 7 dias
g.         E uma multa de apenas US$ 1 milhão, que será paga apenas após a repatriação de valores do exterior.
Para saber quanto dinheiro eles ganharam, a conta é simples. Recebiam 4% sobre as operações da Odebrecht feitas através do banco. Dois valores aparecem relacionados às operações do Meinl Bankrelacionadas  à Odebrecht — ora 1,6 bilhão, ora 2,6 bilhões. De dólares.
Considerando que o número correto seja 1,6 bilhão de dólares, a comissão do grupo foi de cerca de 64 milhões de dólares. Além disso, o banco recebia mais 2% pela movimentação oficial do dinheiro, o que representaria mais 32 milhões.
No total, estima-se que os três, mais Olívio Rodrigues, o quarto sócio — além dos dois sócios ocultos — receberam 96 milhões de dólares de comissão, o que corresponde a 326 milhões de reais.
Mas a Lava Jato só cobrou dos três a multa de R$ 3,4 milhões de reais e fichou ridícula pela corporal em Regime Aberto diferenciado. 
         - Caso 2: DARIO MESSER
DARIO MESSER esquecido pela Lava Jato, da mesma forma como foi esquecido no caso Banestado, cujo juiz do processo foi Sérgio Moro.
É bastante estranho que MESSER apontado como o maior doleiro do Brasil e que esteve por trás das maiores operações realizadas pelo grupo - de França, Bilinski e Borin - foi omitido da Delaçãoacordada e homologada.
Estranho, ainda, pois MESSER é antigo conhecido do juiz SERGIO MORO, apareceu no escândalo do Banestado como grande operador e, também, dali se safou. SÉRGIO MORO foi o juiz do caso Banestado. E MESSER de lá se saiu livre, sem arranhões.
Nota: BANESTADO: (contabilizados) 134 bilhões de dólares levados ao exterior (evasão de divisas, sonegação e impostos, remessa ilegal de divisas). Atingia a nata do PSDB e do PMDB na época do governo de FHC. Moro condenou 26 "laranjas"(pessoas comuns usadas para desviar $$$. Nenhum nome importante foi condenado como políticos; empresários e donos de empreiteiras envolvidas (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Correia), de mídia (Globo, Abril, RBS, RTB-Sílvio Santos, Correio Braziliense) e outros grandes figurões. Delator doleiro: o de sempre, Youssef. Delações, 30. Processos desmembrados, arquivados, crimes prescritos, 26 condenações sem importância e  ainda poucos paralizados nos Tribunais. Valor contabilizado em reais 436 bilhões, hoje. A acrescer ainda o juros e correção das moedas (fatos apurados entre 1966 a 2002 durante os governos do PSDB, PMDB, PTB, PFL).
         - Caso 3: TECLA DURÁN
CARLOS ZUCOLOTTO sócio de escritório da esposa de Sérgio Moro, amigo próximo e padrinho de casamento do casal teria pedido 5 milhões de reais por fora para conseguir acerto mitigado em delação na Lava Jato.
DURÁN junta - na CPMI - documentos comprovando a oferta e diversos outros documentos que revelam os subterrâneos da Lava Jato:
         . Documentos em delação de executivos da Odebrecht foram adulterados, diz Durán: RedeBrasilAtual Jornal GGN
         . Advogado [padrinho, advogado e] amigo de Sergio Moro será convidado a explicar R$ 5 milhões 'por fora': RedeBrasilAtual
         . Para deputados Durán revela subterrâneos da Lava Jato: RedeBrasilAtual
         - Caso 4: CLÁUDIA CRUZ
A jornalista Cláudia Cruz, esposa do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, foi absolvida hoje pelo juiz Sérgio Moro da acusação da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas no processo que investiga o pagamento de propina oriunda do superfaturamento do contrato entre a Petrobras e a Compagnie Beninoise des Hydrocarbures Sarl para exploração de petróleo no Campo de Benin, na África.
Mesmo apontando gastos elevados de Cláudia Cunha como por exemplo 23 mil dólares em um hotel em Miami e 7.700 dólares na boutique Chanel em Paris, Moro a absolveu: Agência Brasil e El Pais
Nota: Compare com o tratamento dado à Marisa, esposa do Lula...
         - Caso 5: SANTANA E O ADVOGADO IRMÃO DO PROCURADOR
O advogado vale tanto quanto pesam suas relações pessoais junto à força tarefa da lava jato.
De repente, advogados sem nenhuma experiência na área penal tornaram-se requisitados e pagos a preço de ouro sendo regiamente remunerados por acordos fechados com seus conhecidos da Lava Jato: Jornal GGN
         - Caso 6:  A INDÚSTRIA DA DELAÇÃO PREMIADA
O elo com a máfia das falências no PR: a mulher de Moro.
Escritórios de advocacia faturando alto: Jornal GGN
         - Caso 7:  DURÁN X PROCURADORES DA LAVA JATO
Tacla Durán diz que procuradores da Lava Jato ameaçaram sua família para forçar delação: Jornal GGN

5. MÁFIA. MODELO DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Servindo de modelo básico aos outros grupos mafiosos, por exemplo, a Máfia Siciliana (Gamorra) tem uma estrutura piramidal:
a. Base composta por criminosos comuns (como assaltantes, pistoleiros, sequestradores, extorquidores, corruptores, etc). Os "soldati".
b. No andar logo acima, os homens de (aparente) honra composta por criminosos engravatados infiltrados em Instituições, Organizações  e Empresas tanto Públicas como Privadas, encarregados de darem proteção e legitimidade às organizações, ações e grupos mafiosos (como sacerdotes, pastores, religiosos, professores, comerciantes, industriais, empresários da mídia, jornalistas, Juízes/Magistrados, Procuradores/Promotores Públicos, Delegados/Agentes Policiais, Advogados, militares, Políticos, Parlamentares, Governantes e outros tantos infiltrados). Os "uomini d'onore".
fanno relazione con la politica, con la economia, con la chiesa, con i giornalisti... fanno  relazione con tutti...un mondo di relazione... I' uomini d'onore è il centro di un piccolo universo
c. Acima, ainda, os comissários mandatários regionais e de circunscrição, que se submetem ao chefe geral normalmente escolhido por eles. "Comissione":  cúpula do comando nas regiões.
d. Por último, o grande Chefe. O "il capo".
- una decina di uomini d'onore forma una famiglia
- diversi famiglie formano un mandamento [ circunscrição ]
- più mandamenti eleggono un capo della cupola o comissione

6. DESTRUIÇÃO E DESMONTE DO ESTADO, INDÚSTRIAS E EMPREGOS. A conseqüente desnacionalização do patrimônio nacional
Notórios os danos que a denominada operação tem causado à nação brasileira, à nossa indústria, e empresas, e à nossa gente.
Apenas para demonstração, ontem a FUP expediu nota apontando os enormes prejuízos causados à extração, às empresas e aos empregos nos setores ligados ao petrôleo e ao gás, um dos mais importantes para a economia nacional: Brasil247

7. UMBERTO ECO
Aqui cabe a chamada - do talvez o maior e mais importante pensador italiano da metade do Século XX e início do Século XXI - Umberto Eco:
"já há quem diga que, depois da queda do Muro de Berlim e do desmantelamento da União Soviética, os americanos já não precisam dos partidos que podiam manobrar e os deixaram nas mãos dos magistrados, ou talvez, poderíamos arriscar, os magistrados estão seguindo um roteiro escrito pelos serviços secretos americanos"
in "Número Zero" - pag. 53

8. NÃO SE COMBATE CORRUPÇÃO CORROMPENDO A CONSTITUIÇÃO
Ilegalidade não se combate com ilegalidade.
A defesa do Estado Democrático de Direito não pode se dar às custas dos direitos e garantias fundamentais.
A violação de direitos e garantias fundamentais, e isso vale para qualquer cidadão (culpado ou inocente, rico ou pobre, petista ou tucano),  só são comemoradas em sociedades que ainda  não foram capazes de construir uma cultura democrática, de respeito à alteridade e ao projeto constitucional de vida digna para todos. 

9. AL CAPONE:
"Mensagens aos pais
            Hoje em dia as pessoas já não respeitam nada. Antes, colocávamos num pedestal a virtude, a honra, a verdade e a lei... A corrupção campeia na vida americana de nossos dias. Onde não se obedece outra lei, a corrupção é a única lei. A corrupção está minando este país. A virtude, a honra e a lei se evaporaram de nossas vidas."
(Declarações de Al Capone ao jornalista Cornelius Vanderbilt Jr. Entrevista publicada na revista Libertyem 17 de outubro de 1931, dias antes de Al Capone ir para a prisão).
GALEANO, Eduardo. De Pernas pro ar. A escola do mundo ao avesso. Porto Alegre, RS: L&PM Editores, 2015, p.1

10. NÃO ESGOTAMENTO DAS IRREGULARIDADES
As irregularidade acima lembradas não esgotam de forma alguma outras tantas apontadas - quer pela defesa de réus, quer por veículos de publicação independentes -  concernentes, por exemplo, à quebra da exigível imparcialidade do julgador, à quebra de um julgamento eqüânime, à quebra da paridade entre às partes processuais, à quebra do princípio da ampla defesa, à quebra da exigência do devido processo legal, à quebra do estado de liberdade dos acusados, à quebra de sigilos, à quebra de transparências, à quebra da voluntariedade das delações, à quebra da regra de registro das tratativas, à quebra da confiança (e responsabilidade) processual, e, também, à quebra (e a supressão) de  narrativas de fatos relevantes...

11. CONCLUSÃO
Tendo, portanto, em mente as advertências de VANUCCI e MONACO quanto às novas fórmulas de atuação da Máfia e de sua infiltração no Estado, bem como a constituição modelo de uma cosca (bando, rede de criminosos) siciliana, grande e forte são os indícios e suspeitas de que em Curitiba um grupo de autoridades (Sérgio Moro, Procuradores da Força Tarefa do MPF, PF de Curitiba e operadores da denominada operação Lava Jato), contando com ramificações, vem, sistematicamente, de forma recorrente, praticando ou acobertanto irregularidades - violando a CF, leis materiais e processuais - e, assim, causando prejuízos imensos e irreparáveis ao país, à soberania nacional e ao povo brasileiro em geral. Jornal GGN